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17 novembro 2012

Lampas a meio gas

O prometido é devido. Para uma primeira prova, de regresso ao activo, a coisa correu muito bem. Estava lá tudo, a organização, a confraternização, o espirito de solidariedade. Todos tivemos que ter cuidado porque, como dizia o organizador no speech inicial "temos que ter atenção e cuidado, dadas as caracteristicas de uma prova como esta", uma vez que era à noite, no meio da estrada, a enfrentar o transito sem luzes próprias... ao natural. Não fosse a lanterna dos 300 que o Sr. Alfredo Almeida trazia à testa, e estariamos na escuridão total. Choveu 5 minutos durante 1h20, o que, dadas as circunstancias, foi um presente adicional. Devo dizer que só fizemos meia Lampa. A prova era em forma de oito, por isso, mais ou menos a meio do precurso de 21km, aos 12.5km, passsava-se de novo pela casa de partida. Eu e os meus dois companheiros de expedição resolvemos que, por ontem, bastava. Estávamos prreenchidos. Tudo tinha corrido bem até ali e não havia porque tentar mais a sorte. Com um misto de graça e vergonha, ouvimos um outro participante a perguntar-nos, enquanto passava por nós: "Então, acabou-se a gasolina...?". Mas não, simplesmente achámos que, para um treino, foi o suficiente, e às vezes "less is more", ou pelo menos foi essa a opção que tomámos. Bom, isto para dizer que foi espectacular. Adorei este re-inicio. Acabámos a noite em grande a comer um bitoque com ovo a cavalo, batata frita, arroz e salada num restaurante muito simpático à beira da estrada, entre o Magoito e Lisboa, chamado "O Cortador". Estava tudo óptimo, e não podia ter corrido melhor. E agora, venha a próxima, estou preparado...

16 novembro 2012

4º Nocturno de São João das Lampas

Infelizmente o meu primeiro post não vai ser uma receita. Serve apenas para marcar o início de mais uma temporada de corridas, que começa exactamente esta noite, nada mais nada menos do que em São João das Lampas. Pelos vistos ha um "nocturno", que se desenrola esta noite, a partir das 21.00, e no qual vou participar. A única certeza que tenho é que o vou começar, onde e em que estado vou acabar é que não sei, mas em breve saberei! O que sei é que se me devem apagar as lampas todas a seguir... Hei de relatar como foi, mas para já fica aqui a informação.

18 março 2010

Ai as Lezirias.... que bela manhã nas margens "del Tajo"

A tal prova que queria tanto ter feito de passeio antes da Meia... objettivo furado por copmleto. Obrigado CAP por teres feito sobressair em mim o espirito competitivo e perjudicial, de querer ficar (mais) à frente, nem que sejam 30 míseros segundos.

Correu bem. A prova é linda, Lisboa (a Grande) é linda e o Tejo... é lindo ele também.

Um sol de verão com a frescura matinal amena do Inverno, a que já nos tínhamos habituado em anos idos, voltou nesse dia. Centenas de pessoas (mais de 1500) bem dispostas e com ar feliz desfilaram rua acima em direcção ao rio pela ponte que liga Vila Franca de Xira à outra margem, para depois voltarem rua abaixo p'la mesma ponte.

Crónica curta mas eficaz: prova excelente - organização, precurso e resultado. E tenho dito.

Faltou apenas o meu querido companheiro de origens JAA, AKA Fonseminas.

Realengo... aquele abraço!
Doc

14 março 2010

Corrida da Árvore - Monsanto


Só há bem pouco tempo é que soube que Monsanto tinha sido uma criação do Homem. Sempre achei que seria o último resquício do que "once upon a time" teria sido a Lisboa à beira mar plantada.

Mas não. Monsanto nunca existiu por si, como tal. Foi pensado, feito à medida, criado para oxigenar esta cidade e para lhe trazer um pouco (mais) de cor. Aos poucos, vamos outra vez roubando terreno à natureza.Mas no caso de Monsanto, devo dizer que ainda temos um belo trabalho estabelecido.

Dá gosto lá ir e nunca é tarde para começar. E falo por mim, que apenas há relativamnte pouco tempo comecei veradeiraente a tirar partido deste belo pulmão de Lisboa, no qual têm complementado maravilhosos equipamentos que ajudam a conjugar homem e naturea.

A corrida da árvore foi isto mesmo. "Man meets nature", mas sem sair de Lisboa. Um belo percurso que até dava pena não aproveitar em ritmo de passeio. E foi exactamente o que fiz. Dei um belo passeio com o Francisco pelas ainda mais belas matas de Monsanto (não soa muito bem, mas foi mesmo isso, o Francisco é um amigo de equipa que também participou...), aproveitando o sol que abriu miraculosamente naqela hora de corrida. Já não posso dizer o mesmo do CAP, que saiu que nem um foguete.... nao resistiu ao bicho da corrida e perdêmo-lo (de vista) logo à partida!!

No final, de presente recebemos um belo pinheiro bebé, que confesso já plantei num vaso e coloquei na minha varanda para o meu filho, também bebé, que terá a mesma idade. Daqui a uns anos, iremos a Monsanto devolvê-lo à familia, para que cresca em liberdade e com espaço!

Uma maravilhosa prova, bonita e tranquila, que nos deu paz, para enfrentar as Lezirias na semana seguinte!

02 março 2010

GP do Atlântico 2010 - A Consolidação


O grupo Unidos da Castilho cresce e consagra-se, em ritmo lento, mas sustentado e sólido, entre o núcleo cada vez mais central na tabela de classificação de equipas e também individual. Para isto contribui não só a melhoria de performance dos membros originais, mas também a adesão de novos elementos que vêm dar forma, motivação e expressão a esta maravilhosa experiência de equipa.

O que começou com uns parcos (mas bons...) membros, toma agora conteúdo e dimensão, que justificam a criação de um brasão, de uma identidade. Por isso mesmo, chegou o momento de criar a marca UdC, vertida em equipamento próprio que já está no forno e pronta a sair. Ainda não se viu expressa neste Grande Prémio do Atlântico mas, se tudo correr bem, apresentar-se-á oficialmente na meia maratona da Ponte 25 de Abril.

Mas vamos à ordem do dia:

Domingo de manhã, no Inverno do mês de Fevereiro, tudo parecia condenado. Uma chuvada torrencial lavava a cara a Lisboa de manhã cedo e tudo indicava o potencial cancelamento da prova. Mas, como combinado, lá nos encontrámos todos junto à bancada dos dorsais, apesar das indicações discrepantes de local e hora de partida, dadas erroneamente pela nossa querida Xistarca (mais à frente desenvolvemos na Rubrica "A (Des)Casca da Xistarca").

A correr, já antes da partida, pusemos os dorsais na camiseta e os chips nos ténis (menos eu que, com o nervoso, me esqueci) e tentá-mo-nos colocar o mais à frente possível para ter uma boa largada.

O tempo acabou por se juntar ao espírito de equipa e ajudou já que, entre a partida e a chegada, miraculosamente, não caiu uma gota.

Nos primeiros minutos de corrida, a conjugação dos elementos: multidão (o body-count oficial foi 1037 pessoas), ruas estreitas e poças com lama por todo o lado, proporiconaram algumas visões caricatas de corredores-pulga a saltarem de um lado ao outro da estrada. Já não se fala nas cotoveladas carinhosas, empurrões e tropeções, sem os quais uma corrida nao seria a mesma coisa. Afinal, o mundo da corrida é para homens de barba rija e não foi feita para flores de estufa. É isto que faz de nós os Homens (e incluo aqui, com o devido e merecido respeito, as grandes mulheres que participam, estas sem barba rija, mas igualmente duras) que somos!

Ao final do km 3 tudo estava mais estabilizado e começava-se a desenhar já o contorno da corrida, a gerir o cansaço e estabelecer o ritmo. A aparente facilidade expectada do percurso, que todos visionámos plano, conhecendo a zona da Costa de Caparica, fez-nos (falo mais por mim) puxar demais nos primeiros 5 km, o que hipotecou de certa forma a segunda metade, que foi feita com maior esforço do que o esperado, para manter a pretendida cadência.

Acresceu que o vento oposto que se fez sentir entre os km 6 e 9, ao longo do paredão das praias, nos castigou ainda mais as pernas e o pulmão. Para rematar, os troços intermitentes de areia de praia no percurso afundaram mais ainda a facada das surpresas do percurso. Atenção, não o digo com sentimento de mágoa ou como critica ao percurso, que devo dizer foi uma muito agradável surpresa, mas antes como descrição das caraterísticas próprias desta corrida e do local onde se realizou.

Feitas as contas, todos os Unidos se saíram bem, contados entre os 42 e 53 minutos, e contentes de ter participado neste GP. Como "pseudo" benfiquista, preferia apenas não ter na t-shirt a referencia ao Núcleo Sportinguista da C.C., mas aí tenho a certeza que não falo por todos os UdC, entre os quais se encontram alguns fanáticos dessa instituição! Mas guardo-a como uma boa lembrança deste dia.

Não posso deixar ainda de agradecer ao meu "companheiro" desconhecido de corrida cujo nome e número de dorsal não revelo para proteger a confidencialidade, que me encontrou e marcou o passo no último km e meio e me deu aquela força imprescindível para me manter em velocidade constante até à chegada. São setse momentos de soliariedade empática que guardamos com maior afeição!

Grande Prémio, sim senhor, este do Atlantico!

Para finalizar, e como já é habitual, vamos à nossa rubrica "A (Des)Casca da Xistarca!!":

Se temos o tal e coiso do "chipe", porque raio não se contabiiza a partida e a chegada, em vez de apenas chegada? De facto não ouvi o "bipe" quando comecei a corrida... Nós que partimos no meio da multidão e que não temos força nem para levantar o bracito e carregar no stop do cronómetro ao chegar ao fim para ver o tempo real, gostávamos muito de ter essa indicação! E deve ser para isso que serve o chipe pah! Não tá legali... Vamos la a fazer forcing de pôr a maquineta também ao início, vá la não sejam forretas...

E

já agora, arranjem lá um mapinha ANTES das corridas, que isto de pôr um mapa do percurso à socapa no saquinho com a água e a medalha, no final da prova, não tem grande utilidade! Não custa nada e afinal se não é isso que faz parte também das competências da organização...

E, para finalizar,

Esta coisa de anunciar que a prova começa às 10h15 e depois vamos a ver e afinal a pistola dispara às 10h00, também não me parece, como dizem os espanhóis, "de recibo". Bem sei que 15 minutinhos pode não parecer nada assim para quem está no cinema a comer pipocas, mas numa prova que dura entre 40 e 60 minutos em média....

Adeeeeeeeeeeeeeeus e vêmo-nos na corrida da árvore!

15 fevereiro 2010

27ª Edição 20 km de Cascais - Guincho



Que prova! Eu e os meus Unidos da Castilho abrimos caminho para o maravilhoso mundo novo das meias maratonas.

Há uns meses atrás, quando comecei as corridas dos 10 km, se me perguntassem, ou quando me perguntava a mim próprio, o que pensava das meias-maratonas e de maratonas em geral, respondia logo que me parecia incrível, no sentido de impossível, fazer-se uma corrida do dobro ou mais daquilo que nós fazíamos já a grande custo. E assim me mantive uns meses, em que fazia as maravilhosas corridas de 10km.

Em Sintra arriscámos já, a muito medo, os 17km, e ontem, com a costa do Guincho como pano de fundo, fizemos o nosso debut no mundo das meias-maratonas e suas vizinhanças!

Ao passar os dez km com o meu companheiro JAA comentávamos exactamente este fenómeno. Lembrámos-nos das corridas de 10 km em que chegávamos ao km 4/5 e já íamos todos rebentados. Na chegada dos dez km dávamos graças a Deus por ter chegado ao final! Sei que o ritmo dos 10 é diferente dos 20, mas achámos os dois piada a estarmos a abrir caminho para uma nova perspectiva.

Ontem lá passámos a marca dos dez km e conscientes de que estávamos a meio. Fiquei com saudades de fazer uma corrida de 10km! Mas o GP do Atlântico esta já aí ao virar da esquina!

Voltando à vaca fria, os 20 km em Cascais e arredores fizeram a nossa manhã de ontem. Um frio matinal de rachar começou logo a criar dúvidas sobre a vestimenta a levar no corpo durante a corrida. Cada um foi à sua maneira, eu optei por ir de calções e shirt.

Lá estavam as centenas de pessoas todas na linha de partida e claro, 3 minutos antes da partida dá aquela vontade inadiável de ir fazer o xixizinho, sem casa de banho à vista. Lá encontrámos aqueles wc móveis tipo concerto. Fiz das tripas coração, tapei o nariz e lá entrei para a rápida missão sanitária. Devo dizer que aquela visão, minutos antes da corrida, não foi a melhor forma de preparação e motivação, mas não havia nada a fazer.

A corrida "correu" muito bem. Fomos todos em ritmo expectante até aos dez km e aí cada um estabeleceu o seu ritmo de metade final. Não houve sobressaltos (pelo menos connosco), e chegámos todos ao fim sãos e salvos, com óptimos tempos, localizados na segunda metade da segunda hora. Grande estreia de CAP, na sua primeira prova de sempre! Temos corredor à altura, sim senhor!!

Fizemos a primeira volta de 5 km na vila (parece que ainda é, segundo os nossos amigos Wikipedia e Google, apesar de se ter ontem discutido a sua promoção, ou não, a cidade) de Cascais. Terminada a volta da "rapidinha", passámos pelo hockey clube, Casa da Guia, e fomos direitos ao Guincho. Foi pena não chegarmos à praia do Guincho, mas foi muito bonito na mesma. Aquela voltinha ao pau no meio da estrada era dispensável. Mais valia fazer uma inversão de marcha nalguma entrada ou cruzamento. Uma paragem de ritmo aos 13 km não me pareceu a melhor das ideias, pela quebra de ritmo e concentração. Mas enfim, lá dei a volta ao pau, como todos, para regressar à candidata a cidade.

Terminada a prova, com a costumada alegria, voltámos Lisboa e fizemos, alguns de nós, pela primeira vez, um treino de descompressão. Saímos do recinto, fomos direitos ao ginásio, e fizemos 10 minutos de bicicleta e passadeira, seguido de uma sauna relaxante. Devo confessar que foi o melhor que podíamos ter feito, para massajar os músculos das pernas!

O facto é que, pelo menos eu, estou com os joelhos todos desengonçados! Mas feliz!! Pareço aqueles lutadores de boxe, tipo Rocky, todos em sangue, inchados e sem um ou dois dentes, no final do combate, a segurar no cinturão do título e a gritar vitória.

De resto, a motivação continua em alta. Espero que se mantenha até conseguirmos fazer a prova "P", the one and only, a grande, a única, maratona!

Aproveito para deixar uma nota à organização da corrida e à Xistarca. Não sei quem é responsável por que parte do evento, mas aqui ficam as ideias:

- os percursos não deviam ser repetitivos, para não termos que passar 2 ou 3 vezes pelo mesmo troço, como aconteceu ontem;

- é imprescindível, pelo menos para mim, ter um mapa do percurso ou, pelo menos, uma descrição detalhada do mesmo para nos preparmos mentalmente. É uma das coisas que não me parece possa faltar ao atleta na preparação da corrida. E não chega dizer-se que é "igual à do ano passado"...alguns de nós não fomos no ano passado...

- Seria bom ter uma peça de fruta à chegada, não vão alguns de nós começar a falar com gafanhotos gigantes chamados "Zé António", por falta de vitamina no organismo..

Viva os UdC!

24 janeiro 2010

GP Fim da Europa 2010 - "Listen to your body"!


E foi isso mesmo que fizemos! Foi a estratégia desta corrida!

Há vários meses já, desde a nossa inscrição, que a ansiedade, angústia e o medo do desconhecido nos ia comendo por dentro aos poucos. De tal forma que, para além de nos interrogarmos, cada um, para dentro, se seriamos capazes, já nos começávamos a perguntar uns aos outros, primeiro, e a dizer, depois, que não íamos conseguir chegar ao final desta corrida.

Era apenas uma questão de tempo até este auto-terrorismo psicológico, silencioso, nos acabar por nos derrotar. Felizmente, o dia da prova chegou antes do "breaking point", e lá nos encaminhámos os 3 Unidos da Castilho que tiveram (desculpem mas não há outra forma possível de dizer) tomates para ir, para a linha de partida, preparados para o pior. Mas, devo dizer, cheios de motivação!

A este clima de terror ajudou também o que lemos sobre provas de anos anteriores. Se é verdade que elogiavam a extrema beleza inigualável do percurso, e por nós confirmada, digna de um verdadeiro património mundial, verdade é também que pintavam um quadro bastante cinzento, para não dizer, como dizem os americanos, "pitch black".

Histórias à parte, medos de lado, o facto é que esta manhã lá estávamos os três a olhar para este Golias que nos aguardava a esfregar as mãos, camuflado no seu manto de nevoeiro matinal a que todos já nos habituámos. Mas, como na velha história, aqui os 3 Davides derrotaram o gigante.

Temos que agradecer esta vitória em parte a todos os que nos disseram que a prova era muito difícil, que era de facto dura e que muito provavelmente iria chegar ao km 9 ou 10 a andar, nem que fosse um "pedacinho" (como agora gosta de dizer o P. Portas). Foi isso que fez com que, conscientemente mas quase em silencio, numa estratégia de equipa que se foi formando à medida a corrida, e baseada no lema combinado ad hoc "listen to your body", do nosso "Clipsman", os Unidos da Castilho geriram o seu oxigénio ao longo destes maravilhosos 17 km, desde a Volta do Duche até ao Cabo da Roca.

E foi providencial. Fizemos os primeiros 9 km em ritmo de passeio, se é que se pode chamar passeio a uma subida de 10 km ... Havia quem dissesse, com alguma piada, que até de carro era difícil quanto mais a pé. Mas a verdade é que fomos num passo muito moderado, sem pressas ou sequer aquelas excitações que nos têm caracterizado nas 3 ou 4 corridas anteriores, de principiantes. Não houve aquela preocupação tonta de estarmos a ser ultrapassados aos 500 metros iniciais e a pensar que estava tudo perdido. Aliás fomos, literalmente, os últimos a sair graças às chamadas da mãe natureza de um Unido...

Estamos, finalmente, a crescer, e isso deixou-nos a todos num estado de felicidade quase inebriante no final da corrida, que pode também ter sido da falta de oxigénio no cérebro, não sei. Mas o facto é que viemos os três no autocarro de volta para Sintra coo crianças sem sermos capazes de nos encostar para trás nos bancos, a falar sobre a corrida sem parar, dos pormenores, dos momentos altos e baixos do percurso, da beleza estonteante Queirosiana de Sintra, enfim, desta maravilhosa manhã que tivemos.

Devemos em parte esta "nova" sabedoria estratégica ao nosso "Clipsman", que já tem mais algum tempo disto e, mais importante, acesso ao Oráculo, que vai adiantando conselhos, instruções e outras valiosas peças de informação para o pré, durante e pós prova.

Quanto à prova em si, acho que a posso resumir numa só palavra: Maravilhosa.

É uma prova dura, sem dúvida, mas que se fez muito bem. A paisagem é desconcertante. A quantidade de verde, de ar puro, de casas lindíssimas, quase saídas de contos de fadas, o ambiente meio intimidatório meio fantástico da Serra, foram sem dúvida mais valias para uma prova destas!

A organização foi quase perfeita. Deixámos o carro em Sintra, pusemos os nossos sacos, marcados com etiqueta própria que nos forneceram, numas carrinhas disponibilizadas para o efeito, e à meta uma gigante tenda lá nos esperava para nos manter aquecidos daquela ventania do Cabo da Roca, com bebida e comida. Os sacos lá estavam à nossa espera.

Foi pena os sacos estarem um pouco ao monte, já que o que menos apetece depois de fazer 17 km é andar de rabo para o ar à procura das nossas coisas. Apesar de ser um bocado confuso, a verdade é que depois de perguntar à organização, percebi que os sacos estavam mais ou menos organizados por conjuntos de números e lá encontrei os meus. Mas não foi de todo por aí que se retira competência à organização. Apenas é uma ideia para repensar.

Contas feitas, e penso que posso falar pela equipa, estamos maravilhados com esta prova. Para o ano queremos mais! Estamos todos de parabéns.

For the record:
FFC - 1h31,08
JAA - 1h31,21
FRA - 1h40,47

21 dezembro 2009

52º Grande (nem por isso) Prémio do Natal


Este testemunho do GP de Natal de 2009 vem com atraso, mas é um atraso propositado.

Devo dizer que, de "Grande", este prémio de Natal não teve nada... a não ser a "cagada" da organização, visível, de resto, na foto, e a descida do Saldanha para o Rossio.. Granda descida men! Até sentia o vento a passar nas orelhas... vvvvvvvvvvvvvvvum!

Sendo novato nestas coisas das corridas urbanas, antes de refilar, quis dar algum tempo depois da corrida para escrever o meu retrato da manhã fria, mas sobretudo, "enegrecida" do GP de Natal, para não deixar sair toda minha raiva, desilusão e fúria contra a organização do evento, contra os homens dos chips, ou contra quem quer que tenha sido o responsável pelo absurdo que se viveu no final da corrida.

Quis também dar espaço de antena aos entendidos para tomar um pouco o pulso às reacções e ânimos, e ainda confirmar se, de facto, tinha assistido ao espectáculo verdadeiramente anormal que julguei ter assistido.

Não sendo um habitué destas corridas e, muito menos, conhecedor das vicissitudes excitantes da recta da meta, para além do que vi ao longo da vida na TV ou nas 3 corridas em que entrei desde que me iniciei, o que assisti, na pele, este dia 13 de Dezembro (só faltou ser 6ª feira) foi um verdadeiro episódio cómico-trágico que, por momentos, e dada a fadiga, me pareceu ser uma espécie de "post traumatic stress disorder" que estava a viver devido cansaço dos 10 km percorridos. Tipo aqueles sonhos em que se tem a sensação de estar sempre quase a chegar a algum lugar, mas nunca se chega...

A uns metros daquele tão aguardado balão-cilindro laranja que compõe o portão da meta, e lançado que ia eu, e todos, concentrado no meu sprint final, vejo dezenas de mãos, de corredores e de "chip-mens" a barrar-me o caminho, quando eu mais não queria do que chegar antes de bater o minuto 40! Naquele momento, nem me passou pela cabeça que os corredores no meio da pista a 2 metros da meta estivessem conluiados num plano maquiavelico para me impedir o propósito, até porque não ia bater nenhum record, a não ser o meu... e daí até se calhar passou, dada esta minha tendência megalómana...mas não interessa.

De tal forma, que houve lá um que até fez beicinho quando temeu que eu fosse ficar à frente dele na fila indiana que estavam todos a organizar para cruzar a meta, achei eu, de mãos dadas.. mas não, não passei à frente dele e, feito parvo, parei e não passei meta em grande. Sei hoje que devia era ter ignorado e corrido mais dois metros e pronto. Mas enfim, nestas coisas a pessoa, que não está de mal com a vida, duvida e pára, não vá o aviso ser por causa de um buraco gigante sugador de corredores, de formação espontânea, logo a seguir ao tal balão laranja.

Felizmente, eu cheguei no momento "M" e apenas estive nessa psicadélica fila 50 segundos, tendo ficado com um tempo registado de 40 minutos e 50 segundos. Mas isso fui eu, sortudo, que tive o privilégio de chegar mal o problema tinha começado.

Não é que, por alguma avaria qualquer do sistema dos chips, segundo ouvi, aliado ao facto da banquinha da entrega de t-shirts (coisa importantíssima..) se encontrar ao fundo de um túnel gradeado com passagem apenas para meio corredor, segundo vi, se começou a formar uma verdadeira fila à entrada da meta!! Ainda hoje não sei bem qual foi afinal o problema... mas que foi grave, e sobretudo muito chato para nós, foi.

E não minto! Não só o evento está documentado, como assisti, na meia hora ou mais, seguinte, a centenas de corredores a ter que fazer aquela paragem brusca que eu tinha feito, mas cada vez mais longe da meta, e com a mesma cara de parvos que eu, a pensar que raio se estaria a passar...Imagino o que terá sido para os que tiveram que parar sem saber sequer o que se passava!

Resumindo, os tempos de todos aqueles desgraçados que chegaram pouco depois dos 40 minutos ficaram no esquecimento formal, no lixo das médias.... Quase uma hora de suor e sofrimento e, neste caso, frio, para não ter confirmação do tempo. Andámos todos a ter que fazer contas e a dizer: "epá, marcou 42, mas foi porque havia lá uma cena com os tempos à chegada, porque eu contei 41, a sério pá, foi os tempos.. os chip-mens...!". Não fica bem e faz-nos passar por mentirosos, e mais tarados (ainda).

Não é que, em conversa com o resto dos terráqueos, a questão do tempo faça diferença. O importante é participar e tal e coiso...

Mas para sermos francos e honestos, e aqui entre nós os tarados da corrida (grupo no qual já me incluo com orgulho) o tempo é o que conta pá nestas coisas pá!!! É isso que nos diferencia a nós, corredores, uns dos outros!!! Como raio vamos competir uns com os outros, posicionar-mo-nos no universo das corridas, melhorar a nossa performance e motivar-nos para a próxima batalha sem a merda do tempo!!??? ãh????

Tou chateado, muito chateado..não sei senão desisto de vez. Não...estou a brincar, mas foi muita chato. Muito chato mesmo. E, como dizem, a AAL fica muita mal nesta foto de inverno. Não vi sequer uma justificação, ou pedido de desculpa ou "olhem lá, desculpem mas não foi por mal, não se zanguem". Nada. Ainda pior. Só vi, no site das classificações: "classificação temporária" tal e tal... Temporária o cacete! Nunca vão é saber a definitiva.

Bom, agora desanuviado, de resto, a prova correu bem, grande descida para o Rossio e no geral prova de carácter descansado, o que permitiu cansar-me mais do que nas outras. Mas que teve, para mim, o belo sabor e recompensa de melhorar 5 minutos o meu record pessoal, passando de 45 minutos para 40!

E agora, S SILVESTRE 27/12!!
Um conselho à organização: Cuidado com os "chip-mens" no meio da pista de braços no ar, e com a oferta "grates" das t-shirts... ponham-nas bem lá para longe da meta sff!!! deixem a malta terminar o sofrimento com alguma alegria...

Até la!
Doc

23 novembro 2009

Mais uma moedinha, mais uma voltinha!! - III Corrida Luzia Dias

Mais uma semaninha, mais uma corridinha...Eu e os restantes Unidos da Castilho rumámos desta vez às belas terras de Lumiar, para disputar homenagem à famosa corredora local, Luzia Dias, AKA "Rainha da Musgueira".

Começo mesmo a ficar preocupado... E não é pelo facto de, recorrentemente, me ver no meio de multidões de corredores, cada vez mais pequenas e, consequentemente, profissionais, nem pelo facto de começar a rever colegas do asfalto, que começam a ser conhecidos e sobre quem se troca sempre impressões, invejas e elogios, como farão sobre mim (impressões talvez...), certamente. A questão é que começo mesmo a gostar disto!!

De tal forma que, à falta de mapa que a organização gentilmente não nos forneceu, perdi horas a traçar o percurso no google maps, e obriguei no dia antes a minha mulher e filho de meses a fazê-lo comigo de carro para confirmar a altimetria e os pontos mais críticos e decisivos.

É curioso como já nos reconhecemos uns aos outros, já sabemos mais ou menos em que posição fica cada um e como vai acabar a prova. Já começo a saber distinguir, no meio da multidão que começa a ficar cada vez menor, em quantidade mas também porque já me mexo no "meio", quem é são os meus concorrentes directos e com quem me devo preocupar e competir. Estou a ganhar, como se diz, o chamado "calo"!! E isso, meus caros, é preocupante.

Ao analisar os resultados começo, apenas através da minha super memória fotográfica, a ligar os nomes às caras e, por isso, a saber quem é quem. Em especial, este fim de semana o meu concorrente parceiro de corrida e de recta final na prova anterior fez um tempo excepcionalmente melhor do que o meu... o meu foi quase igual ao da semana passada (uns segundos melhor) mas o dele foi quase 4 minutos melhor...Mas não perde pela demora. É isto, afinal, a beleza da modalidade, a motivação que nos faz superar a nós próprios.

Devo dizer que os Unidos da Castilho estão em franca melhoria. Conseguimos um maravilhoso 39º lugar nas equipas, num total de 48! Estou confiante e aposto no ano de 2010 como o ano da revelação dos UdC.

E como não poderia deixar de ser, a minha cabeça já está na proxima prova, apontada para o dia 13 de Dezembro, o Grande Prémio do Natal!!

Acho que estou no ponto de não retorno. Já não consigo parar. Só tenho é que arranjar um relógio/cronometro, que isto de andar a correr às cegas sem saber a quantas ando, tenho cá para mim que me prejudica a performance...Não me parece correcto andar a gastar sopros vitais dos restantes concorrentes, nem os meus, com o "desculpe, tem horas que me diga" em movimento a meio da prova. Não ta legali.

17 novembro 2009

Corrida solidária Cruz Vermelha

Mais um fim de semana, mais uma corrida. Desta vez à volta do aeroporto, expo, chelas e regresso à Gago Coutinho... estas corridas deixam sempre recordações para a vida. São verdadeiros episódios cómmico-tragicos dos quais vale a pena fazer parte, mas sempre imbuído do verdadeiro espirito participativo, se não passa-se ao lado.

Os "Unidos da Castilho" não se deixaram abater pelas íngremes subidas que a cruz vermelha, tão solidária, coitadinha, nos tinha preparado, e conseguiram um brilhante lugar a meio da tabela, na categoria das equipas. Não posso deixar de pensar que a escolha do percurso nada mais foi do que uma manobra inteligente de angariação de clientela...! E pelo que vi no final da prova parece ter resultado.

O melhor foi ter notado, e usufruído, do maravilhoso serviço de rastreio oftalmológico patrocinado pela Essilor, grátis, aos participantes. Ainda quis fazer antes da prova, altura em que ainda via qualquer coisa, mas o disparo da pistola de saída estava eminente.

Por isso, no final da prova, como não tinha que recuperar quase uma hora de perda de oxigénio no sangue, lá fui fazer o dito. E claro, disseram-me que não via nada, e que a minha visão estava tão má que saía dos padrões de normalidade. Se fosse o gajo a fazer a prova queria ver se via alguma coisa a seguir! Lá está, mais uma manobra de angariação de clientela..."Olhe, leva aqui o resultado e o nosso contacto, mas o melhor é comprar já uns óculos e se forem essilor damos-lhe um cupão prenda na próxima compra..." O verdadeiro marketing em acção. Bom, um conluio nítido entre a Cruz Vermelha e essilor..que mentes maquiavélicas.

Ao ler o meu último relato sobre a corrida do Tejo não consigo deixar de me perguntar que raio fui de novo fazer!!

Se na corrida do Tejo ainda tinha a desculpa de que era a primeira corrida, e gabava-me de não me incluir no grupo dos tontos que se torturam aos Domingos de manhã, again and again, desta vez já não tenho desculpas. Voltei a repetir a brincadeira, e voltei a pensar durante toda a corrida a razão de me sujeitar às caimbras e dores musculares inevitáveis.

O mais grave é que, horas depois de ter acabado a corrida e de prometer que não voltava, estava a receber uma mensagem a dizer" para a semana há outra no Lumiar, bora?". Pior do que isso, dei por mim e já tinha respondido com entusiasmo: "Claro!".

Agora resta-me perceber porquê. Porque é que, sabendo da dureza destas provas, do cansaço, do sofrimento de que tanto me queixo, volto a aceitar entrar. Lá no fundo acho que é pela razão original. Continuo a achar, do topo da minha arrogância, que poderá haver alguma hipótese de ficar entre os primeiros. Quão estúpida pode ser esta loucura...? Mas, sinceramente, não encontro outra explicação ou, aliás, encontro várias, a confraternização, a patilha do suor, a entre-ajuda entre corredores, o sentido de pertença...mas estaria a mentir, para não dizer outra coisa. Sei que não vai acontecer, mas por alguma razão idiótica, penso nisso, e assim.

Esta sensação não deve ser tão estranha quanto isso, porque ao longo da prova só ouvia os outros também a queixarem-se, a bufar por todos os poros e a dizer que estávamos "fodidos" porque a partir dali era sempre a subir... ainda deu para gastar umas batidas cardíacas necessárias à conclusão da prova para me rir à conta desse comentário em especial. O sujeito olhou para mim com cara séria de quem pensa "estás-te a rire de quê ó otário, paresse que taz tôle...da-se".

Enfim. Domingo lá estarei com os restantes "Unidos" para disputar mais um evento. Isto anda-me é a prejudicar a carreira culinária, nem forças tenho para escrever três linhas com os ingredientes... Em breve terei que fazer uma escolha, ou a carreira de maratonista ou a de culinário...difícil vida esta...

26 outubro 2009

Acho que 9ª Corrida do Tejo

Foi quando me contaram, no fim da corrida, que havia um participante, aproximadamente da minha idade, a ser assistido na berma da marginal por suposta paragem cardíaca, que pensei para os meus botões... serei estúpido?? Valerá a pena correr (o risco) desde Algés a Oeiras para comer, oferta da casa, duas meias maçãs acastanhadas e uma banana, regadas a gatorade, e receber uma medalha de participação??
10.000 gajos!! Todos a correr ao mesmo tempo pela marginal, todos a quererem chegar primeiro, todos suados, todos a acotovelarem-se, a queixarem-se que estão cansados, que está calor, que não deviam ter ido e que lhes dói o burro já ao km 2....
Eu pergunto: para que é que foram então?? Não sabiam que era assim? não tinham já participado numa corrida destas? e não se lembram como foi da última vez?? desculpem lá, pazinhos... para os que estão a abanar a cabeça para cima e para baixo ao lerem estas perguntas, talvez seja melhor fazerem uma revisão a essas cabecinhas! ainda devem estar embaciadas da última prova!
A minha foi a primeira. E achei, por momentos, que podia vencer. Cheguei a pensar com convicção séria que os primeiros 3000 corredores podiam tropeçar ou ter um inesperado contratempo, que me pusesse na linha da frente. Rápido vi, aí aos 30 metros de corrida, que isso não ia acontecer, pelo menos para já. Mas não me posso queixar. Cheguei ao final!
Sofri, é um facto, mas sofri com gosto e vontade, suor e orgulho! E gostei. E vou repetir.
Talvez quem tenha que ir à revisão sou eu...